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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Telescópios líquidos na Lua



Uma equipe internacional de astrônomos pode ter encontrado uma forma de construir telescópios "incrivelmente grandes" na superfície da Lua.

A idéia é utilizar telescópios líquidos: qualquer líquido contido em um recipiente giratório e raso assume naturalmente uma forma parabólica - que é a forma que um espelho de telescópio convencional precisa ter para focalizar a luz das estrelas. Ou seja, um telescópio com espelho líquido é simples e barato, e em um ambiente com baixa gravidade, como na Lua, ele pode ser extremamente grande.

Entre os telescópios com espelhos líquidos já construídos, a maior parte usa mercúrio, pois o mercúrio permanece líquido à temperatura ambiente e reflete cerca de 75% da luz que chega até ele. O maior telescópio desse tipo é o "Large Zenith Telescope", da University of British Columbia (Canadá), que tem diâmetro de 6 metros (foto abaixo). Por utilizar um espelho líquido, ele foi extremamente barato de construir - e essa economia acendeu a comunidade de astrônomos a pensar na possibilidade de construir outro, bem maior, na Lua.


Todavia, utilizar mercúrio na Lua está fora de questão: é muito denso e pesado para ser levado ao espaço, e evaporaria rapidamente se exposto ao vácuo. Por isso os pesquisadores estão analisando outras opções, entre elas uma classe de compostos orgânicos conhecida como líquidos iônicos - que são, basicamente, sais amolecidos. O líquido iônico não evapora, e permanece líquido a temperaturas extremamente baixas.

Telescópios líquidos apontam sempre para a mesma direção, pois não podem ser fisicamente inclinados (ou o líquido derrama...), e isso significa que a construção se torna extremamente simples. Como um telescópio desse tipo consiste basicamente de um reservatório para o líquido, um motor e um eixo ligando as duas coisas, ele é simples e fácil de construir - e por isso a idéia de fazer um de tamanho grande na Lua, com cerca de 100 metros de diâmetro (maior que um campo de futebol).

Um telescópio desse tamanho poderia visualizar a primeira geração de estrelas, formadas quando o universo era muito jovem - com cerca de meio bilhão de anos - o que hoje não é possível de se fazer com os telescópios disponíveis.

Fonte: nasa

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