Viagem no tempo: assistindo uma explosão que aconteceu há mais de 400 anos

Uma equipe de astrônomos do Subaru Telescope (Japão) conseguiu re-assistir à explosão de uma estrela 436 anos depois que ela foi assistida "originalmente" aqui da Terra.
Em 11 de novembro de 1572 o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe observou o surgimento de uma estrela muito brilhante na Constelação de Cassiopéia, que era na verdade uma supernova (um evento raro, no qual a explosão de uma estrela emite uma violenta, enorme e brilhante carga de energia). Ele estudou essa "nova estrela" por meses, até que ela desapareceu. O que restou dessa explosão é visto hoje nessa foto do topo do artigo (o "remanescente" da supernova de Tycho, que tem 25 anos-luz de diâmetro). E agora a luz dessa explosão voltou à Terra.
Uma equipe de astrônomos completou recentemente um estudo sobre os "ecos de luz" da supernova de Tycho, para determinar a origem e o tipo exato dessa supernova. Os "ecos de luz" são criados pela luz da explosão da supernova original quando ela reflete em partículas de poeira interestelar e retornam à Terra anos depois da passagem direta da luz: nesse caso, a luz passou pela Terra originalmente em 1572 - e o eco 436 anos depois.
A luz original chegou à Terra em 1572 (seta azul). A luz foi refletida nas nuvens de poeira interestelar, e retornou à Terra em 2008 (setas amarelas). Essa mesma equipe usou um método similar para encontrar a origem do que restou da supernova Cassiopeia A em 2007. O líder do projeto, Dr. Tomonori Usuda, afirmou que “usando os ecos de luz para analisar remanescentes dessa supernova é, de certa forma, viajar no tempo; isso nos permite voltar centenas de anospara observar a primeira luz da supernova. Podemos reviver um momento histórico importante e ver o que o astrônomo Tycho Brahe viu há centenas de anos. E, mais importante, podemos ver como uma supernova se comporta desde a sua origem."
Em 24 de setembro de 2008 os ecos de luz foram observados pelo Telescópio Subaru, e os pesquisadores conseguiram analisar todo o espectro dessa luz, o que fez com que as "assinaturas atômicas" - o espectro original (figura abaixo) - fossem discernidas. Ao conseguirem "ler" essas assinaturas atômicas eles puderam verificar a composição da emissão gerada na explosão, e assim classificar o evento. Nesse caso, a supernova de Tycho está agora classificada como sendo do Tipo Ia (provavelmente formada por um sistema binário de estrelas, sendo uma delas do tipo Anã Branca).

Além de estabelecer como os ecos de luz podem ser utilizados para analisar o espectro das emissões de uma supernova que ocorreu centenas de anos atrás, esse estudo observacional também verificou que os ecos luminosos, quando observados de diferentes posições e ângulos, geram uma imagem 3D da supernova original, e no futuro essa visualização tridimensional poderá acelerar o estudo de outras supernovas, levando em consideração as suas estruturas espaciais - o que, até hoje, é impraticável com supernovas que estejam fora da Via Láctea.
Fonte: National Astronomical Observatory of Japan
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