Seres vivos podem estar gerando metano em Marte

Ontem (15 de janeiro) foi anunciada a confirmação da existência dos gás metano em Marte. Existem duas causas possíveis para a presença desse gás na atmosfera marciana: atividade geológica ou atividade biológica.
Uma equipe de pesquisadores da NASA e de cientistas de universidades encontrou metano na atmosfera marciana ao observarem o planeta ao longo de vários anos através do Telescópio Keck. A equipe utilizou espectrômetros nos telescópios para separar a luz refletida em Marte em suas cores componentes, como um prisma separa a luz branca em um arco-íris, e assim conseguiu detectar as três características espectrais (chamadas de linhas de absorção), que juntas são uma assinatura definitiva do metano.
"O metano é rapidamente destruído na atmosfera marciana, e a nossa descoberta de nuvens de metano no hemisfério norte de Marte em 2003 indica que algum processo em curso esteja liberando o gás ", segundo Michael Mumma, um dos principais pesquisadores envolvidos.
O metano - quatro átomos de hidrogênio ligados a um átomo de carbono - é o principal
componente do gás natural na Terra. Astrobiólogos estão interessados nesses dados porque grande parte dos organismos da Terra libera metano ao digerir nutrientes. A oxidação do ferro também libera metano, contudo.
"No momento não temos informações suficientes para dizer se a biologia ou a geologia - ou ambos - estão produzindo o metano em Marte", continua o pesquisador, "mas isso nos diz que o planeta está vivo, pelo menos em no sentido geológico. É como se Marte estivesse nos desafiando, dizendo: "ei, descubra o que isso significa."
Se vida microscópica estiver produzindo o metano em Marte, é provável que ela esteja muito abaixo da superfície, onde é quente o suficiente para água líquida existir.
"Na Terra, microorganismos prosperam entre 2 e 3 km abaixo da Bacia de Witwatersrand na África do Sul, onde radioatividade natural quebra moléculas de água em hidrogênio e oxigênio molecular. Os organismos usam o hidrogênio para a energia. Pode ser
possível a sobrevivência de organismos semelhantes abaixo da camada do solo congelado de Marte (permafrost), onde a água é líquida, a radiação natural fornece a energia e o dióxido de carbono fornece o carbono necessário."
Também é possível que um processo geológico marciano tenha produzido o metano. Na Terra, a oxidação do ferro gera metano, e em Marte esse processo poderia estar ocorrendo ao utilizar água, dióxido de carbono e o calor interno do planeta. Embora não haja evidências de vulcanismo em Marte atualmente, antigos depósitos de metano podem estar sendo liberados agora.
Novos estudos e novas missões a Marte, como o Laboratório Mars Express, serão necessários para elucidar esse quebra-cabeças... Mas uma coisa é certa: Marte não está tão morto como todos pensavam.
Fonte: NASA
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Marcadores: astronomia, espaco





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