
O seguinte artigo, de autoria de Nick Pope*, foi publicado hoje pelo New York Times.
Na tarde de 7 de Novembro de 2006, pilotos e funcionários do Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago, viram um objeto em forma de disco pairar sobre a pista por alguns minutos. Como nada foi captado pelo radar, a Agência Federal de Aviação americana decidiu não investigar. Contudo, radares não são absolutamente confiáveis, como demonstram as aeronaves stealth, que são aviões concebidos para serem invisíveis ao radar. Por isso, será que realmente faz sentido ignorar totalmente as observações de várias testemunhas?
Um ceticismo saudável sobre OVNIS acaba levando as pessoas a ignorar avistamentos sem um momento de reflexão. Nos Estados Unidos isto decorre da elevada dependência dos radares, e da indiferença para todos os tipos de aeronaves não identificadas - uma fraqueza que poderia inclusive ser aproveitada por terroristas.
O governo americano não investiga (oficialmente...) avistamentos de OVNIs desde 1969, quando a Força Aérea terminou Projeto Blue Book, um esforço para analisar cientificamente todos os avistamentos para ver se representariam uma ameaça para a segurança nacional. Grã-Bretanha e França, em contrapartida, continuam a investigar avistamentos, devido a preocupações de que alguns avistamentos possam ser atribuídos a aeronaves militares estrangeiras violando seu espaço aéreo - e também porque acreditam que eventuais sistemas não-terrestres possam ser interessantes à comunidade científica.
A maior parte dos incidentes ocorridos na Grã-Bretanha têm sido explicados como identificações equivocadas de estrelas e planetas, luzes de aviões, satélites e meteoros, mas alguns casos levantaram questões tanto sobre segurança nacional quanto sobre a segurança aérea.
Em 26 de dezembro de 1980, por exemplo, várias testemunhas em duas bases da Força Aérea americana, na Inglaterra, relataram o pouso de um OVNI. Um exame do local indicou transformações nas características do solo, que adquiriu um nível de radiação significativamente superior ao normal. Mais testemunhas na mesma base relataram avistamentos nas noites subsequentes, e o comandante da base informou que a "aeronave" direcionava feixes de luz exatamente para a área mais sensível da base - uma clara violação da segurança.
Em 30 e 31 de março de 1993, houve uma onda de avistamentos na Grã-Bretanha. Uma testemunha descreveu uma forma triangular que voava lentamente sobre uma base da força aérea, antes de acelerar para o horizonte com velocidade muito superior à de um jato. Os militares britânicos relataram que "Aparentemente há evidência nesta ocasião de que um objeto não identificado (ou objetos) de origem desconhecida esteve operando sobre o Reino Unido"
Em 23 de abril de 2007, um piloto de uma companhia aérea e alguns dos seus passageiros relataram um enorme OVNI em forma de charuto - o piloto estimou seu comprimento em cerca de 2 km - perto das ilhas do Canal da Mancha. Nesse evento, os controladores de tráfego aéreo relataram que havia algo no radar, considerado "tráfego desconhecido."
Além disso, vários incidentes de "quase-colisão" ocorreram entre OVNIs e aviões - o suficiente para levar o Ministério da Defesa britânico e a British Civil Aviation Authority a aconselhar pilotos, caso se deparem com qualquer coisa, a "não manobrar, a não ser para evitar o objeto, se for possível. "
Os Estados Unidos não é menos vulnerável do que a Grã-Bretanha e a França a ameaças à segurança nacional e à segurança aérea. A Força Aérea dos Estados Unidos e a NASA deveriam reabrir investigações sobre OVNIs. Isso não indicaria que o país passou repentinamente a acreditar em homenzinhos verdes. Isso apenas significaria o reconhecimento de que apenas os radares não podem nos dizer, todas as vezes, quem está lá fora.
* Nick Pope foi o encarregado de investigações sobre OVNIs do Ministério da Defesa Britânico de 1991 a 1994.
Via the new york times.
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